Eu sei que este blog é para falar de delicadezas. Mas é impressionante que buscando na memória exemplos de delicadeza, aparecem com uma frequência muito maior situações de indelicadeza. Inclinação mental, definir algo por seu contrário. O que não é feio, é belo. O que não é rico, é pobre. O que não é indelicado, é delicado. Ou seria melhor dizer, se você não consegue ser delicado, pelo menos não seja indelicado procedendo assim. Uma curiosidade sobre estes pensamentos recorrentes de indelicadeza, é que a maioria destes exemplos acontecem na vida a dois e têm como autor os homens. Como os homens conseguem ficar tão a vontade com a grossura? Eu me nego a aceitar que essa seja uma características masculina, todos são moldados para serem trogloditas, mesmo quando apresentam-se como intelectuais. Na prática, todos nós (e arrisco dizer que você leitor também faz parte desta turma) já presenciamos maridos, namorados, companheiros sendo profundamente indelicados com suas parceiras, em público (visto que presenciamos) ou em espaços privados (quando nos confidenciam chorosas suas mulheres!). A aparência é a fonte mais comum das indelicadezas: as esposas estão fora de peso, são mal vestidas, têm mau gosto, não sabem arrumar os próprios cabelos...Com isso as mulheres ainda podem lidar, mas há ainda as indelicadezas pertencentes ao campo do invisível: vozes irritantes, gargalhadas exageradas, inteligência duvidosa...Se de fato a mulher apresenta um destes problemas ou dificuldades, não haveria uma maneira mais suave de se tocar nestes pontos? Outra pergunta muito útil, será que ser delicado ás vezes não é exatamente enxergar certas coisas mas se calar sobre elas, provisoriamente (dando um tempo para que a realidade mude) ou indefinidamente (afinal algumas coisas não podem ser mudadas...mas elas sempre foram assim, porque estes beócios escolheram estas mulheres então?). Escolher o que falar, como falar e quando falar. Rapazes, não é muito difícil fazer estas três perguntas antes de manifestar uma opinião sobre sua mulher. Tenho certeza (tenho mesmo!) que as mulheres pensam sobre isso com muito mais constância. É menos comum uma mulher disparar uma indelicadeza em público, referindo-se ao emprego de terceira categoria do esposo, da não titulação do conjuge, da falta de traquejo social dele (tantas vezes socorrido pela esposa!), das calças que não fecham mais na cintura, das muitas mancadas domésticas relacionadas a serrar, pregar, colar...Poderia dizer (e provavelmente muitos leitores devem estar pensando nisso) que as mulheres não deveriam poupar seus parceirtos e sempre que sentissem vontade de comentar estes detalhes, mesmo que em público, deveriam comentar. Mas, em um site sobre delicadeza, não esperem que eu apregoe a lógica do "pagar na mesma moeda"! Eu só pediria um pouco de delicadeza nas relações nas quais a delicadeza devia ser o tom absoluto...
PS: Eu tenho saudade de homens que sabiam tão pouco sobre moda, tintas de cabelo, tratamentos de pele...não sabiam diferenciar bege de branco...agora os caras são tão "entendidos" destas coisas...